CUIDADOS POS-PARTO PDF Imprimir E-mail
Seg, 22 de Junho de 2009 21:00

O puerpério, ou pós-parto, é o período que se inicia após a dequitação (saída da placenta) e termina com a primeira ovulação da mulher. A primeira ovulação nas mulheres que não amamentam ocorre entre 6 e 8 semanas após o nascimento do bebê. Nas mamães que amamentam isso pode acontecer depois de 6 a 8 meses. Esse é um momento de mudanças físicas, fisiológicas e psíquicas.

Como não se pode precisar o momento em que ocorre a primeira ovulação, caso a mamãe não deseje engravidar novamente, é essencial que utilize um método contraceptivo adequado. Para informações acerca do método que melhor se adapta ao seu organismo, converse com seu médico.

Após o parto normal, a mamãe já pode caminhar e se alimentar, mas não deve se levantar sozinha, devido à perda de muito sangue durante o parto, o que pode acarretar a baixa da pressão arterial e a ocorrência de desmaios.

Já no parto cesária, a mulher deve permanecer em repouso na cama, já que realizou um procedimento cirúrgico. Todavia não deve permanecer deitada por muito tempo, pois cresce o risco de trombose no período pós-parto. É recomendado que a mamãe levante somente com auxilio da enfermagem após 12 horas do parto. A alimentação após a cesariana é iniciada gradualmente após 6 horas.

A alta hospitalar acontece a partir de 48 horas do parto normal e 72 horas após a cesariana se tudo ocorrer bem, e se o obstetra, o pediatra e os pais estiverem de acordo. Exercícios pré e pós-natal orientados são fundamentais para o mais rápido estabelecimento da mulher.

Um corrimento vaginal (lóquios) parecido com a menstruação ocorrerá por cerca de 20 a 30 dias. Nos primeiros dias, será vermelho e intenso, tendendo a diminuir e ficar acastanhado e até transparente. Se dentro de 30 dias esse corrimento aumentar ou não diminuir, tiver mau cheiro, coágulos ou secreção purulenta com febre, é melhor avisar o médico, pois pode ser sinal de alguma infecção.

Nas mamães que amamentam e nas submetidas à operação cesariana, com limpeza abundante da cavidade uterina, os lóquios costumam ser de menor intensidade.


HIGIENE

Quando se sentir segura de que pode permanecer em pé sem se sentir mal, poderá tomar banho. Não são necessários cuidados especiais para as mamas das mulheres que amamentam. É importante o uso de absorvente genital pós-parto, devendo ser trocados com freqüência. Absorventes internos podem ser utilizados assim que a região genital cicatrizar, em torno de 2 semanas após o parto normal, ou 3 semanas após o parto com episiotomia.


VESTUÁRIO

O uso diário de um sutiã adequado diminui o estiramento dos ligamentos suspensores e da pele, prevenindo futura flacidez. O uso das cintas é opcional, mas não apresenta contra-indicações, devendo apenas ser evitado o desconforto pelo uso excessivamente apertado.


ATIVIDADES FÍSICAS

Exercícios passivos de flexão e extensão dos pés, pernas e coxas, assim como massagens nessas regiões devem ser realizados imediatamente após o parto, com a finalidade de ativar a circulação sanguínea. Nos partos em que foi aplicada somente a anestesia local, a mulher pode levantar da cama assim que se sentir disposta. Quando foi empregada analgesia (raqui ou peridural) deve-se aguardar que termine o seu efeito, o que ocorre após algumas horas. Antes de levantar-se pela primeira vez, é prudente elevar ao máximo a cabeceira da cama e assim permanecer por alguns minutos. A seguir, permanecer sentada na beirada da cama com as pernas para fora, por alguns minutos, até poder levantar e caminhar, sempre auxiliada por outra pessoa, pois podem ocorrer tonturas. É importante manter uma postura correta, principalmente na hora de amamentar, para evitar que ocorram dores nas costas.


PLANEJAMENTO FAMILIAR

Para evitar ou espaçar os períodos de gravidez, é aconselhável o uso de um método anticoncepcional. Amamentar com mamadas freqüentes em torno de 3 em 3 horas evita a ovulação e, portanto, a gravidez até o quinto mês pós-parto. No entanto mesmo as mulheres que amamentam como aquelas que não o fazem devem discutir com seu médico o uso de um método anticoncepcional efetivo.


DEPRESSÃO PÓS-PARTO

É comum que, ao assumir uma nova identidade, a mulher se sinta insegura quanto às possibilidades de criar o filho, quanto ao sucesso da amamentação e às mudanças físicas pelas quais está passando. Ocorrem mudanças na sua rotina e nas suas outras atividades, sendo muitas vezes difícil para a mãe conciliar todas estas tarefas.


MUDANÇAS NO ÚTERO

O útero é primeira mudança sentida pela mulher. Após o parto, ele deve estar duro e firme e geralmente uma enfermeira irá examiná-lo várias vezes durante algumas horas. O útero se contrai naturalmente para prevenir hemorragia e para retornar ao tamanho que era antes da gravidez. As contrações podem acentuar-se durante a amamentação, provocadas pela estimulação da sucção dos mamilos. O útero retornará ao seu tamanho normal até o final do primeiro mês, reduzindo cerca de um centímetro por dia.
Os seios, nesse período, preparam-se para alimentar o bebê, por isso tornam-se doloridos. A amamentação auxiliará no alívio da dor. Se sentir dores fortes, endurecimento das mamas e febre, procure seu médico. Não esqueça de pedir o máximo de informações sobre amamentação com os profissionais que lhe atenderão no pós-parto. O leite materno é o melhor alimento para seu filho e a amamentação faz com que seu corpo volta o mais rápido ao que era antes da gravidez.
O intestino costuma ficar mais lento e acumular gases, podendo aparecer hemorróidas e um certo inchaço na barriga. Nas primeiras vezes, poderá sentir um pouco de dor e também de medo que os pontos rompam com o esforço. O relaxamento da musculatura abdominal e perineal, a episiotomia e hemorróidas deixam a mulher com intestino preso. Nas pacientes submetidas à operação cesariana, a constipação (intestino preso) pode chegar até 72 horas. Recomenda-se ingerir alimentos ricos em fibra, frutas, como mamão, ameixa e laranja, além de beber bastante água, pelo menos, dois litros por dia.
A região perineal, principalmente se tiver ocorrido a episiotomia, e a região do corte cirúrgico na cesárea podem ficar doloridos. Caso isso ocorra, analgésicos poderão ser receitados pelo médico que a acompanha. Essas regiões devem estar sempre limpas. Existem exercícios para melhor cicatrização, os quais poderão ser orientados pelo seu médico.


INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Pode ocorrer incontinência urinária devido a lesões traumáticas nos primeiros dias após o parto. O controle será readquirido com a ingestão de muito líquido e exercícios. Se tiver dores, dificuldade ao urinar ou necessidade de urinar com freqüência, deve procurar assistência médica.
As manchas na pele que ocorreram durante a gravidez tendem a diminuir. Por vezes, não somem por completo. As estrias tendem a diminuir devido à perda de peso e a se tornarem menores e brancas. Algumas mulheres têm tendência a apresentar pele seca, queda acentuada de cabelo e unhas quebradiças durante os 6 primeiros meses após o parto.
Logo após o parto, a mulher perde de 5 a 6 quilos e com a normalização do metabolismo poderá perder mais 3 quilos nos dez primeiros dias.


RECOMEÇO COM O PAPAI

Depois de exames e liberação do obstetra, a vida sexual pode ser retomada. Isso deve acontecer de 30 a 40 dias após o parto. Com as alterações hormonais, a vagina está mais ressecada e a libido pode estar em baixa. Aos poucos, a mamãe e o papai encontrarão a melhor maneira de recomeçar.
A sensibilidade da mamãe nessa época fica aflorada. É a época em que todos os sentimentos se misturam, sejam eles de alegria pela chegada do novo serzinho, sejam de medo, de insegurança e de ansiedade por não saber se irá cuidar dele direito, bem como se conseguirá ser mãe e mulher ao mesmo tempo. Portanto a mamãe necessita de muito carinho e atenção por parte do marido. “Mamãe, saiba que esse sentimento é normal”.
Mas, se a sensação de incapacidade, tristeza e crise de choro não deixar a mamãe cuidar do seu bebê e continuar sua vida como sempre, isso pode ser depressão pós-parto. Nesse caso, existe a necessidade de cuidados profissionais.
Aos poucos, conhecendo o bebê e se acostumando com a nova rotina, a mamãe se ajeitará naturalmente e passará por esse período sem maiores problemas.



DORES
Após o parto, o útero continua a se contrair. Isso é necessário para evitar o sangramento excessivo. Na maioria das vezes, essas contrações são indolores, mas algumas mulheres as percebem como cólicas, que podem ser intensas principalmente durante a amamentação. As dores abdominais originadas da operação cesariana ou as dores da episiotomia devem diminuir dia a dia, sendo perfeitamente controláveis pela utilização de analgésicos recomendados pelo obstetra, quando necessários.



EPISIOTOMIA
É o nome dado ao corte realizado na região genital com o objetivo de ampliar a passagem para o bebê. É costurado imediatamente após o parto com pontos que caem espontaneamente. Geralmente, não são necessários curativos locais ou outros cuidados além da higiene. Logo após o parto, pode ser colocada uma bolsa de gelo no local para aliviar o desconforto.


DIETA

Alimentos podem ser ingeridos imediatamente após o parto normal, mesmo quando foi empregada a anestesia local. Se foi empregada a analgesia (raqui ou peridural), algumas horas são necessárias até o término de seus efeitos. Os primeiros alimentos, preferencialmente líquidos, devem ser de fácil digestão e os vômitos e enjôos contra-indicam a alimentação sem autorização médica. Nos dias seguintes, uma dieta equilibrada que forneça em torno de 2500 calorias/dia é fundamental para a manutenção de um bom estado nutricional, para o retorno do peso e contorno corporal, para um bom funcionamento intestinal e uma adequada produção de leite. O consumo de proteínas deve ser maior, incentivando a ingestão de carnes magras, peixes, leite, queijo, ovos e leguminosas como a soja e o feijão. Fibras vegetais podem ser obtidas de legumes, verduras, frutas, germe ou farelo de trigo. Sais minerais e vitaminas encontram-se em carnes magras, leite, queijo, ovos, cereais integrais, legumes, verduras e frutas. Beba líquidos em abundância, principalmente leite, suco de frutas e água, pois a amamentação dá muita sede. Evite o excesso de açúcar, farinhas refinadas e também de gordura animal, frituras e condimentos. No pós-parto, é freqüente a utilização de suplementos vitamínicos, principalmente aqueles contendo ferro.



Compartilhe esta notícia